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Quando “suficientemente bom” já não é tão suficiente assim
Assim como muitos veteranos de TI, Rich Green, vice-presidente executivo de Software da Sun, viu inúmeras empresas adotarem o Linux na década de 1990 para atender aos exigentes requisitos de aplicativos e serviços Web. Agora, Green está testemunhando uma nova tendência: problemas em torno dos benefícios e economias do Linux a longo prazo estão fazendo com que os gerentes de TI reavaliem as áreas em que faz sentido adotar esse sistema operacional.
Nesta edição do Sun Inner Circle, Green explica por que muitas empresas estão optando pela atualização do Linux para o Solaris e como isso as está ajudando a dimensionar as infra-estruturas de TI para enfrentar a pressão dos desafios dos negócios.
Green é responsável por definir a visão e o roadmap da estratégia de software da Sun, incluindo o Solaris, as suítes Java Enterprise System, o software de gerenciamento N1 e as ferramentas de desenvolvimento Sun Studio e Java Studio. A opinião de Green está fundamentada em mais de 20 anos de experiência no mercado, dos quais 16 na Sun, e o estreito envolvimento com esforços de definição de padrões de mercado e comunidades de código aberto contribuiu para suas visões sobre a evolução das plataformas de desenvolvedor e software empresarial.
INNER CIRCLE (IC): Vamos começar fazendo uma pergunta básica: o que havia por trás do apelo inicial do Linux para suportar a camada Web dos aplicativos e serviços?
GREEN: As pessoas escolheram o Linux no passado por inúmeros bons motivos. Primeiro, no início da década de 1990, a adoção do Linux foi amplamente estimulada por processadores rápidos. A Intel, por exemplo, estava produzindo processadores para o desktop com uma relação preço/performance tão atraente que fazia muito sentido começar a usar infra-estruturas de aplicativos de baixo custo ou de alto volume. Com o rápido crescimento da camada Web, um sistema operacional semelhante ao UNIX gratuito, aliado a servidores baratos, provou ser bem atraente.
Segundo, o mesmo período testemunhou a popularidade crescente do modelo de desenvolvimento de código aberto. Ter acesso ao código-fonte incentiva a inovação, e o kernel desenvolvido por Linus Torvalds se tornou um núcleo para que mais gente acrescentasse pequenas inovações ao Linux da mesma maneira que flocos de neve formam uma bola de neve. Por fim, depois da bolha das ponto-com, a realidade da economia popularizou as tecnologias suficientemente boas, em vez das tecnologias melhores, porém caras. Por isso, para algumas organizações, um sistema operacional de baixo custo e performance adequada oferecia um atraente coeficiente de preço/performance.
IC: Por que o Linux acabou se tornando um aspecto atraente da filosofia da escalabilidade horizontal?
GREEN: A idéia de pagar somente pelo que você usa sempre é atraente. Começar pequeno e acrescentar outros componentes com o tempo normalmente são alguns pontos em que os departamentos de TI e de negócios concordam. Por isso, usar o Linux em sistemas básicos de baixo custo ajudou a implementar a escalabilidade horizontal nas arquiteturas de tal forma que parecia relativamente tranqüila. Além do mais, o Linux – independentemente da distribuição específica – não é muito complexo, o que fez com que a instalação e administração parecessem relativamente simples.
É evidente que o sistema operacional Linux não tinha a robustez ou os recursos de escalabilidade encontrados em grandes sistemas SMP (multiprocessamento simétrico). Mas a facilidade de conectar o Linux a um banco de dados ou sistema de arquivos leve deu a inúmeras organizações a impressão de escalabilidade ilimitada.
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Ouço muitas conversas desde o operador do datacenter até a diretoria executiva que demonstram preocupação com os desafios inesperados e custos ocultos do uso do Linux.
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IC: Mudaram as percepções em relação ao uso do Linux na empresa?
GREEN: Ouço muitas conversas desde o operador do datacenter até a diretoria executiva que demonstram preocupação com os desafios inesperados e custos ocultos do uso do Linux. Nos primórdios da adoção do Linux em empresas, muitas se sentiram compelidas a contratar equipes de sistema operacional para dar suporte ao Linux, e esses grupos pegaram um produto grátis e gastaram um tempo e dinheiro consideráveis modificando-o para atender aos requisitos específicos da empresa.
A capacidade de modificar pode ser tentadora para muitos desenvolvedores (além de ser um dos aspectos atraentes do software de código aberto), mas um sistema operacional é um componente tecnológico extraordinariamente complexo. E a necessidade de ficar mexendo no sistema operacional constantemente acaba elevando os custos e prejudica a produtividade geral.
IC: Mas empresas como a Red Hat e a Novell oferecem serviços de consultoria para otimizar o Linux e atenuar parte desse risco, não é verdade?
GREEN: É verdade, mas esses serviços não saem de graça. Evidentemente, não há nada de errado com a cobrança de algo a mais por um produto melhor, mas muitas empresas descobriram que um sistema operacional inicialmente apresentado como “gratuito” na verdade implica custos semelhantes ou superiores aos que, por exemplo, a Microsoft cobra pelo seu sistema operacional. Muitas empresas estão aprendendo que, mesmo que o Linux seja relativamente barato, ele implica altos custos de implementação e manutenção.
IC: Você poderia explicar alguns dos riscos associados ao uso das distribuições comerciais do Linux?
GREEN: Se uma empresa estiver dependendo de um fornecedor externo e sua distribuição Linux específica para executar sistemas empresariais, então o suporte provavelmente será um grande problema. Por exemplo, o Red Hat Enterprise Linux 3 está prestes a mudar para um nível de suporte drasticamente reduzido – e esse é um motivo de grande preocupação para inúmeras empresas que agora dependem do modelo de serviços e suporte da Red Hat. De sua parte, a Red Hat precisa gastar um tempo considerável em engenharia e controle de qualidade para novos lançamentos e esses custos, como acontece com qualquer outro custo de desenvolvimento, são repassados aos usuários.
Infelizmente, esses usuários agora não podem ter a certeza de que a distribuição mais recente do Linux terá suporte por muito tempo – o que é bem diferente da abordagem da Sun, que sempre ofereceu suporte e desenvolvimento. Além do mais, há o possível problema de dissidência das distribuições. Recentemente, a investida da Oracle contra a Red Hat levantou essas questões. E o acordo da Novell com a Microsoft também agita o mercado em torno do conceito de propriedade intelectual na comunidade do Linux.
IC: E em relação aos problemas de longo prazo com o Linux?
GREEN: A ausência de compatibilidade binária ascendente no desenvolvimento do Linux levanta a questão se as novas distribuições conseguirão executar os atuais aplicativos empresariais. Em muitos casos, a ausência da compatibilidade binária ascendente entre as versões do Linux requer ciclos significativos de engenharia e controle de qualidade para garantir que os aplicativos existentes continuem operando bem com as novas distribuições do sistema operacional.
IC: Discutimos alguns dos desafios do Linux, mas o que torna o Solaris uma alternativa atraente?
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Abrir o código do Solaris aumentou a viabilidade do sistema operacional no longo prazo porque a velocidade de desenvolvimento aumentou e a interoperabilidade com as principais tecnologias de código aberto melhorou.
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GREEN: O Solaris sempre foi excepcional no back end. Mas, para ser sincero com você, até alguns anos atrás, o Solaris não cumpria todos os requisitos das camadas Web e de edge. Mas hoje, o Solaris está otimizado para um, dois e quatro microprocessadores usados nos chipsets da AMD e Intel, para muitos dos mesmos servidores que executam o Linux. Isso significa que o sistema operacional oferece uma solução inteira para as camadas de banco de dados e de apresentação.
Abrir o código do Solaris também aumentou a viabilidade do sistema operacional no longo prazo porque a velocidade de desenvolvimento aumentou e a interoperabilidade com as principais tecnologias de código aberto melhorou. Até hoje, existem mais de sete milhões de licenças comerciais espalhadas mundo afora, e as empresas que usam o Solaris estão descobrindo que ele funciona perfeitamente com conhecidas tecnologias de infra-estrutura da Web como Apache, Tomcat e MySQL.
IC: Então como seria uma comparação atual do Solaris com o Linux em termos de escalabilidades horizontal e vertical?
GREEN: Tanto o Solaris quanto os servidores Sun foram projetados para atender às necessidades de qualquer situação, desde modestas implementações iniciais até complexas instalações de datacenter. As pessoas costumam pensar na camada Web como sendo de um ou dois processadores, mas em ambientes de transações intensivas (principalmente quando são necessárias atividades como processamento SSL) as tecnologias Sun como os servidores baseados em processador CMT (multithreading de chip) são escolhas de arquitetura atraentes que oferecem escalabilidade horizontal e vertical constante e confiável. Isso significa que as empresas agora podem usar um sistema operacional com escalabilidade para a demanda crescente, ao mesmo tempo que contam com acesso a serviços e suporte que as distribuições Linux simplesmente não oferecem.
IC: Do ponto de vista de um conjunto de recursos, o Solaris oferece alguma vantagem para a camada Web que não esteja presente em distribuições Linux comerciais?
GREEN: O Solaris contém uma variedade de recursos fascinantes, independentemente da escala ou tipo de implementação – de servidores de banco de dados e de aplicação até servidores de apresentação –, além de áreas como computação de alta performance e processamento gráfico. Parte disso se deve à maturidade do sistema operacional. O Solaris conta com uma série de refinamentos desenvolvidos nos últimos 15 anos, que resultaram em um amplo conjunto de recursos aperfeiçoados com o tempo.
Por exemplo, há a real confiabilidade por recursos como o NFS, com a capacidade de servir ilimitados arquivos, além do DTrace para ajuste e resolução de problemas, e outros recursos como cluster, Predictive Self Healing para disponibilidade, e até mesmo a tecnologia de Web cache de alta performance incorporada no próprio kernel.
IC: Você pode dar exemplos de empresas que aproveitaram com sucesso os recursos do Solaris para a camada Web?
GREEN: Lembro-me de um grande provedor de Internet na China chamado Sina. Essa empresa trocou 30 servidores Dell com processador Xeon executando Linux por 12 servidores Sun Fire T1000 executando Solaris 10 e o Sun Java System Directory Server. Outro cliente da Sun, uma empresa de jogos online da Europa chamada Mansion.com, trocou seus servidores blade x86 executando Windows e Linux pelo Solaris 10 e servidores Sun Fire. As duas empresas estão vendo menores custos relacionados a energia e espaço físico, enquanto a maior confiabilidade e disponibilidade oferecem a seus clientes um atendimento ainda melhor.
IC: E quanto à virtualização?
GREEN: Os clientes podem usar o Solaris com VMware, evidentemente e, melhor ainda, tirar proveito das tecnologias de virtualização incorporadas como os domínios de sistema dinâmicos e Solaris Containers. Os containers garantem leveza na virtualização que oferece drásticas vantagens de utilização de recursos do sistema em comparação com outros programas de virtualização.
Com os Solaris Containers, a Sun possibilitou a instalação de apenas uma instância de um sistema operacional e a implementação em ambientes de aplicativos diversos, gerenciáveis separadamente e otimizados. E com os domínios lógicos que serão lançados em breve, a Sun oferecerá a virtualização até o nível de hardware para permitir ainda mais flexibilidade em servidores CoolThreads. Os recursos de virtualização do Solaris oferecem características de escalabilidade aos sistemas de uma maneira que o Linux não consegue acompanhar.
IC: Além disso, a Sun tem suporte para outras tecnologias de virtualização também, certo?
GREEN: A Sun e a comunidade de código-aberto continuam trabalhando na tecnologia de virtualização baseada em Xen que converterá o Solaris ou outros sistemas operacionais em um sistema operacional Xen “domU” que poderá ser hospedado em um ambiente virtual. Mas nesse meio tempo, os usuários que atualizarem agora do Linux para o Solaris descobrirão como os recursos de virtualização do Solaris oferecem inúmeras vantagens quando se trata de virtualização, particionamento e gerenciamento dinâmico.
Além de tudo isso, recursos como o DTrace funcionam em conjunto com as tecnologias de virtualização para oferecer inigualável capacidade de observação de sistemas. Um dos maiores desafios em fazer implementações de Web e edge com qualidade de produção é ter a capacidade de observar, ajustar e otimizar gradativamente ao longo do tempo. Nesse quesito, o DTrace é exclusivo no mercado porque tem a capacidade de executar essas funções com segurança, enquanto o sistema está em execução no ambiente de produção.
IC: Do ponto de vista dos negócios, quais são as vantagens de atualizar do Linux para o Solaris?
GREEN: São três vantagens: tempo de desenvolvimento, custo e confiabilidade. Além do mais, o Solaris oferece essas vantagens sem obrigar as empresas a sacrificar uma pela outra. Com o Solaris, as empresas podem começar pequenas com complexidade limitada, o que as ajuda a lançar tecnologias no mercado rapidamente. Essas etapas iniciais podem ser executadas em hardware de baixo custo – que as empresas podem atualizar com o tempo. E tudo isso pode ser conseguido usando a mesma base de código do aplicativo sem custos ocultos.
IC: Então, onde a empresa pode começar a procurar recursos que a ajudem a investigar os benefícios da atualização do Linux para o Solaris?
GREEN: As empresas que usam o Linux para serviços da Web e aplicativos já têm um dos melhores recursos disponíveis para a atualização – seus administradores de Linux. Os sistemas operacionais Solaris e Linux seguem os mesmos fundamentos conceituais. Isso significa que um administrador de Linux experiente pode implementar e administrar o Solaris de maneira fácil e rápida.
A Sun também tem inúmeros programas – desde guias online até serviços específicos – que ajudam as empresas na atualização, por exemplo, do Red Hat Linux ou SUSE Linux para o Solaris 10, independentemente do tipo de servidor que a empresa esteja usando hoje. Os serviços da Sun podem ajudar a agilizar a transição no curto prazo e viabilizá-la no longo prazo. Isso deve oferecer às organizações o conforto de que os dias de conformismo com um sistema operacional suficientemente bom são agora coisa do passado.
Sobre Rich Green
Como vice-presidente executivo de Software, Rich Green é responsável pela liderança operacional geral da divisão de software da Sun, que apresentou algumas das mais inovadoras tecnologias e modelos de negócios do setor de informática. Green supervisiona o Solaris Enterprise System, incluindo o sistema operacional Solaris, as suítes Java Enterprise System, o software de gerenciamento N1 e as ferramentas de desenvolvimento Sun Studio e Java Studio. Além disso, lidera vários esforços de definição de padrões de mercado e comunidades de código aberto.
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