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Adotando tecnologias voltadas ao consumidor na empresa



Bob Worrall, CIO, Sun Microsystems, Inc.Olá, caros leitores do Sun Inner Circle. Aqui é Bob Worrall, Diretor de Informática da Sun e redator costumeiro desta carta. Neste mês, estou viajando mundo afora, falando com clientes, parceiros e a imprensa sobre alguns dos acontecimentos mais empolgantes na TI e na Sun.

Por isso, pedi a John Dutra, Diretor de Tecnologia da Sun, para escrever por mim a carta deste mês. John falará sobre um tema que acho fascinante: como as empresas reagem à ameaça e à oportunidade apresentadas pelas tecnologias voltadas ao consumidor.

Agora, sem mais delongas, concedo a palavra ao John.

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John Dutra, Sun CTOObrigado, Bob. Vou me esforçar para manter o alto nível dos seus textos.

Eu também acho muito interessante o tema da administração de tecnologias para consumidores na empresa. E vou aproveitar esta carta para explicar por que as empresas deveriam pensar em adotar as tecnologias emergentes para consumidores e em gerenciá-las melhor.

A inovação da TI costumava ser um terreno restrito a empresas e órgãos governamentais. A origem dos mainframes, a Internet e até mesmo os PCs se deve às pesquisas em larga escala, financiadas pelos setores público e privado. Quando chegou a vez da TI empresarial, as corporações privadas e as organizações de pesquisa do governo ajudaram a desenvolver a base tecnológica do que existe hoje.

O problema foi que, desde que a Apple veiculou seu comercial de 1984 para lançar o Macintosh, começou a surgiu uma contratendência. Hoje em dia, o consumidor é a grande mola propulsora da inovação tecnológica – seja dentro ou fora da empresa. Vamos tomar como exemplo um caso inicial e avassalador.

A origem do computador pessoal se deve à IBM e à Xerox PARC, mas quando os PCs entraram nos lares dos consumidores, o processador e outros componentes ficaram mais baratos. Por que esse fato é importante? Porque os processadores baratos geraram volume, que gerou poder, e hoje os processadores x86 que surgiram no segmento dos consumidores constituem a base para muitas implementações de servidor empresarial.

Esse é apenas um exemplo. As empresas atuais estão cada vez mais tirando proveito dos telefones celulares, podcasts e serviços orientados ao consumidor como o Gmail e o Yahoo! Mail. A proliferação de inovações para os consumidores vem gerando um impacto indiscutível na empresa atual. E isso leva à pergunta: Como as empresas deveriam reagir à ameaça – e à oportunidade – das tecnologias para consumidores?

Por que as empresas resistem às tecnologias para consumidores?
Durante muito tempo, as empresas foram céticas quanto às novas tecnologias voltadas aos consumidores, em parte porque estas não oferecem a mesma segurança avançada dos sistemas empresariais. Sob alguns aspectos, é mais fácil e prático para uma organização limitar seu conjunto de tecnologias autorizadas.

Tomemos como exemplo o PC portátil. Houve uma época em que muitas empresas forneciam aos funcionários notebooks com software e conectividade configurados pelo departamento de TI. A idéia era de que a organização controlaria o notebook – mas na prática isso introduziu vulnerabilidades na segurança, pois as pessoas levavam notebooks do escritório ou traziam seus próprios notebooks para trabalhar. Os vários roubos mirabolantes de notebooks do Ministério dos Assuntos dos Veteranos de Guerra dos EUA contendo dados confidenciais de milhões de militares veteranos evidenciaram os riscos dessa prática.

Outra tecnologia é o telefone celular, que muitas empresas repudiavam com veemência. Logo depois que o celular rompeu a barreira na empresa, ganhou recursos de câmera, e as empresas com propriedade intelectual valiosa exposta no quadro-branco de uma sala de reuniões se viram obrigadas a adotar políticas contra celulares com câmera.

O surgimento de tecnologias para consumidores que estão prontas para as empresas
A empresa agora está em uma encruzilhada. Os esforços para manter a segurança limitando o uso das tecnologias para consumidores vão de encontro à proliferação em massa de celulares e outros dispositivos dos quais os consumidores – ou melhor, os funcionários – dependem. E com a restrição do uso de dispositivos para consumidores, as empresas renunciam a todos os benefícios organizacionais que eles podem oferecer.

 
Para a empresa, já é hora de pensar em como adotar e aproveitar as novas tecnologias para consumidores, em vez de lutar em vão para resistir a elas.

Para a empresa, já é hora de pensar em como adotar e aproveitar as novas tecnologias para consumidores, em vez de lutar em vão para resistir a elas.

Nos últimos anos, nenhum produto conquistou tanto mindshare dos consumidores quanto o Apple iPod. Apesar de muita gente considerar esse player de mídia um dispositivo para consumidores, ele está começando a fazer sua incursão no mundo corporativo. Por exemplo, as empresas vêem o potencial do uso de podcasts para disseminar informações corporativas, além de permitir que os funcionários recebam treinamento e conhecimento, através de iPods, enquanto estão presos no trânsito ou viajando de avião.

O iPod pode ser considerado um dispositivo passivo porque ele não se conecta diretamente à Internet, mas ainda assim representa um desafio à segurança porque informações confidenciais podem estar escondidas em sua memória. Da mesma maneira, em uma tentativa de incentivar a mobilidade, muitas empresas estão abertas para o potencial do iPod e dispostas a aceitar seus possíveis riscos à segurança.

O iPod não é o primeiro, nem será o último dispositivo para consumidores a invadir as empresas. Por exemplo, o acesso de banda larga à Internet começou como uma novidade para os consumidores, e os primeiros provedores de acesso tentaram proibir o uso corporativo para limitar o tráfego de rede. Como acontece com o iPod, no final das contas venceu o desejo da mobilidade e flexibilidade, e hoje as pessoas mesclam atividades de trabalho e lazer em suas conexões de banda larga domésticas.

E agora os lares estão cada vez mais ocupados por poderosos computadores que atendem por um nome diferente, como decodificadores e consoles de jogos. Será mesmo apenas um sonho distante o dia em que esses poderosos dispositivos gráficos darão o ar de sua graça no âmbito das empresas? Já está ficando claro que a resposta é não.

Muitas empresas adotaram avatares para representar pessoas de verdade em reuniões online. E as organizações começaram a encarar o mundo da realidade virtual, a comunidade online Second Life é um exemplo disso, como um espaço válido e útil para fazer reuniões corporativas.

Talvez não haja lugar mais evidente da tendência rumo ao fenômeno da consumidorização do que no segmento do software como um serviço (SaaS). Aproveitando o sucesso de serviços como o Gmail e o Yahoo! Mail, surgiu um ecossistema inteiro de serviços de social networking (rede de relacionamentos) e compartilhamento de conhecimento. Cada vez mais as organizações estão explorando serviços como wikis e páginas de MySpace corporativos. Elas estão descobrindo que é muito mais fácil publicar um vídeo de treinamento corporativo no YouTube do que proteger a aprovação e coordenar os recursos necessários para publicar o mesmo vídeo através de um firewall corporativo.

Estratégias empresariais para gerenciar a consumidorização da TI
Como a consumidorização é inevitável, é imprescindível para as empresas elaborar estratégias sobre como ela pode ser melhor gerenciada e aproveitada. Uma política seletiva que restrinja o uso de tecnologia orientada ao consumidor móvel pode fazer sentido para organizações de setores com informações confidenciais como defesa e segurança nacional, ou para pequenas empresas com expediente de 9 horas/dia e 5 dias/semana e necessidades limitadas para uma força de trabalho flexível e móvel.

 
Para muitas empresas, uma força de trabalho móvel e conectada pode ajudar a reduzir custos, melhorar a produtividade e oferecer vantagem competitiva.

Mas para muitas empresas, uma força de trabalho móvel e conectada pode ajudar a reduzir custos, melhorar a produtividade e oferecer vantagem competitiva. Essas organizações deveriam se antecipar para decidir quais dispositivos e serviços são importantes e identificar protocolos de segurança empresariais para suportá-los. Por exemplo, se o acesso móvel a e-mails for importante, os dispositivos poderão ser desenvolvidos para oferecer compatibilidade com IMAP e SSL.

Os benefícios da aceitação da consumidorização
Tanto funcionários quanto empresas podem se beneficiar da mobilidade e flexibilidade garantidas pelas tecnologias orientadas aos consumidores. Funcionários com opções de como e onde trabalhar normalmente ficam mais satisfeitos e produtivos – o que resulta em trabalho de melhor qualidade. Na Sun, os funcionários constantemente mencionam o nosso programa Open Work, que lhes oferece a possibilidade de trabalhar em casa, como um de nossos programas mais vantajosos e úteis.

As empresas podem reduzir o espaço físico e fazer uma economia considerável em energia e espaço adotando mais conectividade e opções de dispositivo, bem como incentivando as pessoas a trabalhar fora das dependências da empresa. Na Sun, economizamos milhões de dólares através do nosso programa Open Work. Mais de 50% dos funcionários da Sun nem têm sala própria.

Ao mesmo tempo, trabalhar em casa beneficia o meio ambiente ajudando a diminuir a poluição do ar, o trânsito nas ruas e o uso de combustíveis fósseis finitos. A Sun tem orgulho de ter sido considerada em outubro de 2006 um dos Melhores Ambientes de Trabalho pela Environmental Protection Agency e pelo Ministério dos Transportes dos EUA – o que é um caloroso elogio no contexto de nossas iniciativas mais abrangentes de eco-responsabilidade.

Dos iPods aos celulares, dos wikis à Web, a consumidorização veio para ficar. Já é hora de a empresa pensar seriamente em se adaptar a um mundo cada vez mais conectado e começar a perceber os benefícios da maior mobilidade, flexibilidade e conectividade.