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Preparativos para o fim da TI como a conhecemos hoje


Chegou a hora de a empresa abandonar o data center

Bob Worrall, CIO, Sun Microsystems, Inc.Olá mais uma vez, leitor do Inner Circle. Talvez você saiba que recentemente venho provocando espanto em algumas pessoas com a afirmação de que a TI como a conhecemos em breve poderá ser uma coisa do passado. É preciso pôr um ponto final nos aplicativos personalizados, nos data centers ineficientes, nas altas contas de luz e nas tentativas frustradas de satisfazer à demanda sem fim de uma força de trabalho cada vez mais móvel. O modelo atual simplesmente não é sustentável.

A Mãe Natureza odeia a ineficiência, e a maioria dos departamentos de TI hoje já está no limite da ineficiência. Os aplicativos são complexos demais e caros demais de manter. Os data centers e servidores operam a apenas uma fração da capacidade total – a menos que haja um pico repentino na demanda ou no processamento ao final do mês. O resultado de tudo isso são custos de energia crescentes graças a uma nova geração de consumidores entendidos em TI que esperam níveis de serviço que enlouquecem a maioria dos CIOs.

 
"A Mãe Natureza odeia a ineficiência, e a maioria dos departamentos de TI hoje já está no limite da ineficiência."

Agora, não estou querendo apavorar ninguém: a TI não desaparecerá de imediato, mas no futuro ela precisará encontrar uma maneira criativa de enfrentar esses desafios. Usar os mesmos princípios obsoletos é uma receita fadada à frustração e ao fracasso. Em vez de tentar segui-los, precisamos de outros modelos diferentes – prevendo as tendências do mercado e as intenções dos clientes, bem como nos preparando para elas.

Se você leu até aqui, já deve estar fazendo alguns questionamentos. Talvez você conteste um pouco mais ao ler que nós da Sun concluímos que está chegando rapidamente o tempo em que as empresas concorrentes migrarão para um modelo em que executarão serviços seguros baseados em rede, em vez de seus próprios aplicativos, data centers e redes.

A TI entra em crise em meio a pressões de todos os lados
Graças à maior mobilidade da tecnologia, as pessoas não precisam sair de casa para trabalhar – elas se conectam ao trabalho, independentemente de onde estiverem. Quando alguém arrumava um emprego há uns cinco anos, esperava encontrar uma área de trabalho carregada com uma suíte de aplicativos no primeiro dia de trabalho. Hoje, as pessoas começam um serviço e esperam ter mobilidade transparente em todos os aplicativos.

Amanhã, os funcionários nem precisarão se deslocar até o local de trabalho - acessarão os aplicativos via Internet, iPods, PDAs e celulares. O escritório tradicional deu lugar a uma força de trabalho móvel que não fica mais amarrada a um local específico. Seja no banco online, nas compras ou no download de músicas, as tecnologias voltadas ao consumidor estabeleceram um padrão para a disponibilidade dos aplicativos empresariais que muita gente agora espera obter dos departamentos de TI.

Esse aumento nas expectativas exerce uma enorme pressão no antigo departamento de TI, onde os CIOs precisam garantir a capacidade de tornar os aplicativos e serviços acessíveis em cada vez mais dispositivos.

É por isso que muitos CIOs agora sentem que se tornou praticamente impossível satisfazer ao crescimento da demanda desses serviços. A maioria destes requer mais servidores e espaço de data center – ambos escassos – e aparentemente não há um fim para isso. Construir data centers cada vez maiores é uma solução temporária de pouca visão, porque essas edificações consomem tanta energia que as contas de luz logo encobrirão o custo do hardware.

 
"Ninguém no setor de TI pode negar que a construção de mais data centers é insustentável, sem falar que demonstra irresponsabilidade ambiental."

Além de ficar cada vez menos sustentável sob o aspecto financeiro, injetar mais CO2 também sobrecarrega o meio ambiente. Algumas empresas – por exemplo, a Sun – têm sólida credibilidade em responsabilidade ambiental com soluções de hardware e virtualização altamente eficientes. Mas ninguém no setor de TI pode negar que a construção de mais data centers é insustentável, sem falar que demonstra irresponsabilidade ambiental.

Por todos esses motivos, é improvável que nosso atual modelo operacional de TI, que depende do data center corporativo, seja viável no futuro. Entretanto, precisamos ter acesso tanto aos aplicativos de negócios quanto aos serviços sem esgotar os recursos – sejam financeiros ou ambientais.

O novo modelo de fornecedor de serviços
As economias de escala tornam o data center empresarial tradicional um meio ineficiente de fornecer aplicativos de negócios e serviços aos nossos usuários finais cada vez mais móveis. Há bons motivos pelos quais a maioria das famílias não possui centrais telefônicas, reservatórios de água ou geradores de energia. Os setores de telecomunicações, de saneamento de água e elétrico passaram pelo mesmo processo evolutivo que sugerimos para a TI alcançando um nível de padronização e escala que oferece serviços seguros, confiáveis e econômicos à sua família.

Da mesma maneira, agora um número crescente de aplicativos empresariais está sendo disponibilizado via Internet, e não via intranets e redes privadas. Na Sun, por exemplo, oferecemos fácil acesso às funções de e-mail e calendário via Internet pública como um serviço seguro. Essa é uma guinada radical em comparação com alguns anos atrás, quando era impossível obter e-mails sem passar por várias etapas para fazer login na rede privada. Isso alivia nossos próprios data centers de algumas pressões, ao mesmo tempo maximizando a produtividade dos funcionários através do rápido acesso aos aplicativos.

 
"Em vez de gastar nossas energias em data centers, por que não nos concentrarmos no fornecimento de serviços baseados em rede seguros, robustos e confiáveis, executados na Internet pública?"

E aí está uma grande oportunidade: em vez de gastar nossas energias em data centers, por que não nos concentrarmos no fornecimento de serviços baseados em rede seguros, robustos e confiáveis executados na Internet pública? Por que não comprar esses serviços de fornecedores confiáveis em vez de desenvolver aplicativos caros de manter? Será que acreditamos mesmo que cada empresa é tão especial que serviços padrão como e-mail, calendário, mensagens instantâneas, RH e até mesmo ERP não podem ser prestados por um fornecedor de serviços? Nos próximos anos, a Sun pretende fornecer a seus funcionários mais aplicativos de negócios e serviços dessa maneira.

Mas vamos esclarecer que não estamos simplesmente falando sobre outsourcing ou outhosting de data center. Estamos falando sobre desativar os aplicativos, as redes e os data centers e, em vez disso, comprar serviços de parceiros confiáveis.

Acredito que, no futuro, os CIOs prestarão esses serviços a partir de uma comunidade de fornecedores que administrarão seus próprios data centers enormes de forma muito parecida com as usinas elétricas que as empresas de energia operam hoje. Essas empresas prestarão um serviço seguro e confiável pela Internet pública. Graças à escala, esses fornecedores de serviços poderão otimizar o que eu chamo de usinas de dados, virtualizando os aplicativos e alocando dinamicamente os recursos de computação e armazenamento conforme a necessidade, para extrair o máximo da eficiência de seus equipamentos de uma maneira que os atuais CIOs simplesmente nunca esperam extrair.

As economias de custo e os ganhos de eficiência serão significativos. Em vez de os tempos de implementação serem medidos em meses para os aplicativos empresariais, serão necessários apenas alguns dias – ou mesmo horas – para que as empresas aproveitem serviços padrão. Nesse modelo, também é perfeitamente possível imaginar que a compra e download desses aplicativos serão tão fáceis quanto a de arquivos de música.

Os quatro elementos cruciais para essa transição
Existem quatro elementos na nossa estratégia de eliminar o data center obsoleto: mobilidade, segurança/privacidade, confiança e disponibilidade no mercado. A mobilidade, como já mencionei, agora é uma parte essencial para fazer negócios. Depois que os funcionários já se habituaram a ter acesso remoto à tecnologia que aumenta sua produtividade, pedir que cada um desligue os laptops e volte a se sentar às mesas não vai dar certo. Só para começar, onde é que eles se sentariam? Muitos de nós trabalham em vários locais, e prevemos a necessidade de ter ainda mais aplicativos, serviços de voz e informações de data center disponibilizados independentemente de onde estejamos.

A acessibilidade na empresa precisa ser conciliada com a segurança/privacidade. Na Sun, acreditamos que uma vez que os parâmetros de privacidade são estabelecidos, entra a questão da segurança. Em resumo, não é possível ter segurança sem privacidade. Agora, admito que as questões de privacidade e segurança são componentes cruciais para o sucesso desse novo modelo de TI. Mas assim como os consumidores agora confiam nos fornecedores de serviços mais do que nunca, acredito que as empresas também confiarão cada vez mais nos novos fornecedores de aplicativos e serviços.

Para alguns, a confiança é uma barreira difícil de transpor. Muita pessoas ainda se recusam a usar os serviços de banco online. Conheço inclusive algumas que não usam caixas eletrônicos. Mas não são apenas esses neoluditas que são cautelosos em relação ao próximo modelo de TI. Os CIOs em alguns setores entendem as pressões sobre o data center tradicional, mas afirmam categoricamente que não conseguem se imaginar dependendo de fornecedores de serviços para gerenciar os aplicativos de negócios. Acredito que a adoção desse modelo é apenas uma questão de tempo. Ressalto para os céticos que foi somente na última década que nós, enquanto consumidores, amadurecemos para confiar nos fornecedores de serviços com nossos dados bancários, fotos de família, documentos tributários, planos de saúde e inclusive prontuários médicos. Será que realmente acreditamos que essa tendência ficará restrita ao segmento dos consumidores?

Cada um dos elementos que mencionei depende, evidentemente, da disponibilidade no mercado de aplicativos e serviços empresariais baseados na Internet. Na Sun, acreditamos que há uma grande oportunidade para essas ofertas. Estamos dando início a um ambicioso plano para fornecer aos nossos funcionários mais do que apenas serviços de e-mail e calendário via grid público. As conexões sem fio que instalamos em nossos escritórios servem apenas para uso da Internet e serão a estrutura básica da nossa futura plataforma de disponibilização de aplicativos. Entre os projetos atuais nessa área estão a externalização de todos os nossos sistemas de ERP, além de aplicativos de RH, dentre outros. À medida que esses serviços migrarem para a Internet, por fim acabará a necessidade de mantermos a nossa intranet.

O futuro do ambiente de TI mudará radicalmente
Mas o que todas essas mudanças significam para o pessoal do departamento de TI? Se eles não estiverem escrevendo aplicativos ou gerenciando data centers e redes, restará o que mais? Acredito que as organizações de TI se tornarão os agregadores desses serviços de rede seguros. Por exemplo, em vez de instalar ou mesmo escrever seus próprios aplicativos de ERP, a TI agregaria os requisitos e provisionaria o serviço de ERP a partir de um parceiro confiável – e gerenciaria a disponibilização desse serviço de acordo com acordos de nível de serviço (SLAs).

Para usar outro exemplo, o médico de família não se especializa mais em cada problema médico imaginável. Em vez disso, normalmente ele faz um diagnóstico geral e indica uma comunidade de prestadores de serviços seguros e confiáveis com a experiência necessária para atender a um problema específico. Nesse exemplo, o médico agrega esses fornecedores de serviços e fornece uma indicação para aqueles que cumprem suas normas de tratamento médico.

É compreensível que essa situação irrite muita gente da área de tecnologia. Com certeza entendo a apreensão com a qual os CIOs e a equipe de TI (talvez até a minha) reajam a essas idéias. Muitos deles encararão isso como uma ameaça a suas carreiras, mas eu sugeriria exatamente o contrário. Primeiro, digo aos interessados em uma carreira de TI "tradicional" que não se preocupem, pois esses empregos ainda estarão no mercado por muito tempo. Afinal, muita gente achava que o COBOL sofreria uma morte agonizante bem antes do Bug do Milênio. Então, se você quiser escrever aplicativos ou gerenciar data centers e redes, esses empregos ainda existirão por algum tempo. Entretanto, esses cargos não perdurarão nas empresas de vanguarda que virem nessa transformação do mercado uma oportunidade de repensar a TI.

 
"Na Sun acreditamos que o futuro dos serviços seguros baseados em rede não é uma questão de se, mas sim de quando."

Para os profissionais de TI que quiserem fazer parte de uma iniciativa para que a TI responda melhor e ofereça real valor para os negócios, recomendo mergulhar de cabeça nessas mudanças. Em vez de resistir a essa evolução, faz mais sentido aprender as habilidades que atenderão ao papel em evolução da TI. Essa é uma orientação que muitos CIOs podem seguir também. Livrar-se dos data centers e da TI tradicional por fim ajudará sua empresa a ficar mais responsiva e responsável. Aliás, não seriam esses os atributos que definem a TI antes de mais nada?

Sei que muitos acharão apavorante nossa visão da TI. Você não acha isso possível? Pergunte a si mesmo: Se você fosse abrir sua própria empresa hoje e precisasse de serviços de ERP, você mesmo construiria seus próprios data centers, compraria dezenas ou até centenas de servidores e contrataria sua própria equipe de TI – ou compraria serviços de ERP? Pense nisso. Essa opção está disponível atualmente para muitos aplicativos, como atestam o sucesso do Salesforce.com, do Oracle on Demand e de muitos outros. Essas empresas são simplesmente encarnações dos fornecedores de serviços de amanhã.

Na Sun acreditamos que o futuro dos serviços seguros baseados em rede não é uma questão de se, mas sim de quando.

Bob Worrall
CIO, Sun Microsystems, Inc.
cio@sun.com