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No fim de um ano no papel de CIO


Observações e opiniões sobre o papel de um CIO após o meu primeiro ano em funções

Bob Worrall, CIO, Sun Microsystems, Inc.Bem-vindos outra vez, leitores do Sun Inner Circle. No mês passado convidei a minha colega Leslie Lambert, vice-presidente e responsável pela segurança de informação do departamento de TI da Sun, para compartilhar o seu conhecimento sobre o papel desempenhado pela identidade, no sentido de manter seguros os valores da informação. Este mês, planejo falar eu um pouco sobre a gestão da identidade, após ter celebrado há pouco o meu primeiro aniversário neste cargo.

Devo confessar que aprendi muito sobre o trabalho e sobre mim mesmo no último ano. Há alguns meses li um artigo que me disse muito: "Nove coisas que os CIO gostariam que se soubesse sobre os seus cargos". Fez com que começasse a pensar sobre algumas opiniões que gostaria de compartilhar com vocês.

Gerir o orçamento sem sufocar a criatividade
Um dos maiores desafios que enfrentei no último ano foi fazer gestão de orçamentos, planejamento financeiro e previsões sem sufocar a criatividade e capacidade técnica da organização. Muita gente parece pensar que são coisas mutuamente exclusivas. No entanto, uma organização de sucesso deve incluir orçamentos inteligentes e criatividade técnica. O problema é que se não gerirmos cuidadosamente os orçamentos, começamos a perder a confiança de quem financia os programas de TI. Mas se demonstrarmos práticas orçamentárias sólidas, a confiança melhora e estaremos em melhor posição para apresentar pedidos de financiamento adicional, o que conduz a mais oportunidades para que os técnicos façam o que gostam de fazer.

Uma lição importante que aprendi foi a necessidade de comunicar eficientemente a necessidade de controles orçamentárias. Desde reuniões mensais do pessoal até reuniões gerais, incluo muitas vezes discussões sobre orçamentos. Tento tornar estas discussões o mais leve e não intrusivas possíveis e explicar o valor aos indivíduos e à organização. É uma conversa contínua.

Gerir um orçamento de TI exige disciplina e estrutura. Um dos principais feitos do ano passado foi estabelecer um modelo operacional previsível para a TI, o que inclui análises regulares ao programa com fortes componentes financeiros. Ao instaurar princípios financeiros rigorosos e oferecer treinamento para os mesmos, podemos depois distribuir orçamentos operacionais aos gestores e diretores de toda a organização, dando-lhes a capacidade de tomar decisões mais rápidas.

Um bom CIO equilibra concentração empresarial com concentração tecnológica.

Equilibrar negócios e tecnologia — todos os dias
Parece haver uma idéia generalizada de que os CIO estão orientados para os negócios ou totalmente concentrados na tecnologia. Para algumas pessoas, este assunto é alvo de grande debate, mas na minha sincera opinião é um assunto esgotado. É um fato que não se trata de uma escolha exclusiva: um bom CIO tem de ser as duas coisas.

O meu contexto é mais de negócios e, em qualquer dia, tenho de ser capaz de andar para trás e para a frente entre discussões técnicas e discussões de negócios. Conheço diversos CIOs com contextos técnicos que fazem o mesmo. Não há forma de escapar ao fato de que o papel do CIO nunca será puramente de negócios — nem puramente técnico. Irá variar de pessoa para pessoa e de empresa para empresa. Mas, no fim, eu diria que tem menos a ver com a mestria empresarial ou técnica do CIO e mais com o valor empresarial que ele ou ela acrescenta.

Lembrem-se de que cada cliente é rei, e alguns são grandes reis
Como a maioria dos departamentos de TI, temos dois tipos de clientes internos: C Grande e C Pequeno. Os clientes C Grande são os líderes das outras unidades empresariais de nível C que nos pagam as contas, e os clientes C Pequeno são os usuários finais. É interessante notar que estes dois conjuntos de clientes têm muitas vezes prioridades diferentes, que chegam a entrar em conflito, o que é frustrante para os funcionários de TI que os servem.

Ao longo do último ano passei a aceitar que se trata de um problema fundamental que nunca irei resolver. Através de comunicação eficiente e do nosso modelo de Compromisso de TI, conseguimos organizar algumas das nossas iniciativas de TI centrando-nos no ajuste destes requisitos diversos e procurando sempre soluções inovadoras.

Só com parcerias estreitas com o negócio conseguimos responder melhor e mais rapidamente às necessidades em constante alteração. Trata-se de uma relação baseada na compreensão e confiança mútuas. Da nossa parte, a TI tem de conseguir oferecer níveis de serviço confiáveis e previsíveis. Após demonstrarmos competência, asseguramos um lugar à mesa, mas é uma posição que tem de ser ganha. Não basta fazer o trabalho. Temos de ir mais além para ganhar credibilidade e respeito dos nossos clientes na organização.

Aqui na Sun, o meu papel enquanto CIO inclui participar também na experiência do cliente externo. Cada ano fazemos centenas de briefings a clientes que nos permitem devolver o nosso conhecimento a toda comunidade e oferecer ao nosso pessoal de TI a oportunidade de se sentarem com organizações de TI de todo o mundo para compartilharem idéias e construírem relações. Recordar constantemente quem é o cliente (interno ou externo) ajuda-nos a melhorar os serviços e, em última análise, a aumentar o valor para os acionistas.

Quanto mais as coisas mudam, mais as gerimos
Um CIO precisa gerir a mudança diariamente. Na economia atual, aproveitar novas oportunidades depende da capacidade da organização de gerir a mudança. Afinal, se não aproveitarmos as oportunidades, a concorrência, com certeza, aproveita.

Enquanto profissionais de TI, é nossa responsabilidade acompanhar as transformações da nossa cultura, indústria e sociedade.

Tenho a tendência de evitar a palavra "mudança" porque, para algumas pessoas, ela tem conotações negativas. Gosto, em vez disso, de caracterizar o cenário de TI como estando em constante evolução. À medida que a nossa cultura, indústria e sociedade evoluem, é nossa responsabilidade, enquanto profissionais de TI, acompanhar estas transformações. Temos o dever de fornecer a visão que ajuda as nossas organizações a antecipar mudanças tecnológicas e novos modelos de negócios que podem ajudar a trazer mais lucros.

No decorrer do último ano dei prioridade a observar mais de perto como aplicar novos tipos de fenômenos e tecnologias de ligação social à próxima geração de aplicações na nossa empresa. Faz sentido, porque sabemos que a próxima geração de clientes será composta por pessoas que cresceram com essas tecnologias. Tornando mais fácil a abordagem às aplicações empresariais e adaptando-as mais a estes novos usuários, podemos estar um passo à frente da curva da evolução.

Menos stress — a parte divertida!
Em Fevereiro, declarei que ninguém pode ser eficaz no seu trabalho se não gerir a respectiva vida igualmente bem. E, para quem está com dúvidas, sim, há um ou outro dia em que acho o meu trabalho desgastante. No entanto, aquilo que descobri foi que, independentemente do stress do trabalho, os muitos aspectos positivos de ser CIO na Sun fazem tudo valer a pena.

O meu conselho a quem considere uma carreira em TI é que, se não gostar de ajudar pessoas, nem vale a pena seguir este caminho. Precisamos do tipo de personalidade que obtenha muita satisfação com o fato de ajudar as pessoas, quer se trate de responder a uma simples pergunta de ajuda ou resolver um problema de negócios altamente complexo com tecnologia.

Para mim, os aspectos positivos começam com o fato de viver na crista da onda da tecnologia mais emocionante, ver o que se segue e conseguir desenvolver soluções inovadoras que verdadeiramente ajudem os nossos clientes. Esta é a parte divertida. E para ser honesto, encaro com alegria cada dia deste emprego.

Bob Worrall
CIO, Sun Microsystems, Inc.