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Bob Worrall, CIO da Sun e Mark Connelly, director executivo de segurança da informação da Sun, conversam sobre as emergentes ameaças à segurança empresarial e como a Sun lhes está a responder
Caso tenha perdido a publicação do último mês, sou o Bob Worrall, o novo CIO da Sun Microsystems e novo patrocinador executivo da newsletter Inner Circle da Sun. Durante os próximos meses, espero utilizar a minha carta neste fórum para oferecer opiniões sobre a visão tecnológica da Sun, bem como partilhar os meus comentários sobre os mais recentes desenvolvimentos da indústria.
Quando aceitei o cargo de CIO há alguns meses atrás, acordei uma manhã e assentei as minhas principais preocupações num pedaço de papel. No topo dessa lista estava a segurança. Perguntem a qualquer CIO o que é que o mantém acordado durante a noite — ou, no meu caso, o que me faz acordar de manhã — e eles dirão que é a segurança da empresa.
Para poder avaliar a compreensão da Sun em relação a desafios e capacidade de respostas aos mesmos, marquei imediatamente uma reunião com o director executivo de segurança da informação da Sun, Mark Connelly. Achei a minha reunião com o Mark tão esclarecedora que o convidei para partilhar convosco os seus conhecimentos sobre a segurança empresarial nesta publicação.
Worrall: Bem-vindo à Inner Circle da Sun, Mark. O seu sentido de
oportunidade não podia ser melhor, pois parece que a indústria se vê confrontada
com novos vírus e ameaças de segurança a toda a hora. Do seu ponto de
visto privilegiado como director executivo de segurança da informação,
quais são alguns dos desafios que enfrenta?
Connelly: Durante muito tempo, as pessoas têm tentado comunicar
de modo seguro, e outros têm sido persistentes na tentativa de quebrar
as medidas de segurança. A diferença entre o presente e o passado é que
hoje os profissionais de segurança estão a tentar proteger as empresas
e as economias internacionais no seu todo. Por exemplo, a equipa de segurança
na Sun está encarregue de proteger os activos de informação de uma empresa
que emprega mais de 38.000 pessoas espalhadas por 170 países. E mais,
devido à forma como se trabalha hoje em dia, a Sun tem de fornecer acesso
seguro à informação em cada dispositivo, em qualquer lugar e em qualquer
ocasião.
Worrall: Quais são algumas das principais ameaças à segurança das
empresas?
Connelly: A complexidade das ameaças evolui constantemente, mas,
na generalidade, o volume da matriz de ameaças está a mudar das clássicas
invasões como o spam (e-mails indesejados) para esquemas mais elaborados
desenvolvidos por pessoas que fazem uma pesquisa complexa para descobrir
os pontos fracos na segurança de uma empresa. O espectro das ameaças vai
desde os adolescentes que não têm mais nada para fazer do que causar problemas
até à espionagem económica de carácter criminoso, assim como tudo o que
se situa no meio.
Worrall: Tradicionalmente, os esforços de segurança de estilo medieval
concentravam-se em proteger as paredes (ou firewalls) de uma empresa para
manter afastados os inimigos, mas parece que está a insinuar que estas
ameaças estão a evoluir para além desta estratégia.
Connelly: Sim. Uma das questões que mais me preocupa sobre a
engenharia social – a forma através da qual as pessoas simplesmente contornam
as defesas que referiu. Qualquer pessoa que estude o fenómeno da guerra
dirá que faz mais sentido atacar as fraquezas e não os pontos fortes.
Kevin Mitnick, o ilustre engenheiro social, escreveu um livro chamado
The
Art of Intrusion, no qual descreve como conseguiu utilizar a engenharia
social para penetrar nas defesas de organizações. Assim que uma ameaça
penetra as paredes do castelo, as empresas podem nem saber que foram invadidas
e incorrer em perdas significativas no IP.
Worrall: Para lá da má conduta, parece que existem desafios de segurança
inerentes ao simples facto de ter um negócio.
Connelly: Completamente. Os parceiros globais, os novos modelos
de negócio, as exigências legais geográficas, etc. todos contribuem para
a crescente complexidade dos desafios de segurança. No que respeita as
normas de regulação, a Sun faz negócio em mais de 170 países, por vezes
com regulações diferentes e, no nosso planeamento, temos em considerações
todas estas regulações. Além disso, embora esteja empenhada na criação
de fonte aberta em todo
o seu software, a Sun continua a ser uma empresa baseada na propriedade
intelectual. Por esse motivo, a segurança tem de proteger o seu IP e estar
em conformidade com todas as regulações pertinentes. Felizmente, na Sun
temos grandes tecnologias e soluções que fornecemos aos nossos clientes
para os ajudar significativamente nesses esforços. Finalmente, trabalhando
em coordenação com a gestão de riscos, temos um plano de contingência
abrangente em vigor para mitigar qualquer risco às operações de negócio
em caso de uma catástrofe natural.
Worrall: De uma perspectiva organizacional, quais são os desafios
que os profissionais de segurança enfrentam no interior de uma empresa?
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Conselhos chave de segurança
- Aplique políticas de segurança firmes
- Baseie as suas políticas de segurança em padrões da indústria
- Organize uma defesa multicamadas e multifornecedores
- Utilize os melhores padrões de segurança do mercado para ajudar a reduzir os custos, melhorar a flexibilidade e tornar a segurança da empresa mais escalável
- Certifique-se de que qualquer política de segurança tem uma abordagem holística que envolve profissionais de TI, pessoal de segurança física, equipas jurídicas e de auditoria e controlo de exportações
- Certifique-se de que os funcionários compreendem que são os principais agentes em qualquer política de segurança
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Connelly: Uma das áreas é a proposta de valor. Os CEOs colocam
a questão em termos de "despesa" quando deviam pensar em termos de “investimento”.
Muitos CISOs e CSOs com quem falo têm de estar cientes dos negócios. É
muito difícil para os profissionais de segurança provar o valor do seu
trabalho. Pergunte a qualquer director executivo de segurança da informação,
e eles têm declarações de valor, matrizes de ameaças e outros documentos
que ajudam a explicar à administração executiva o valor da infra-estrutura
que protege a organização. Infelizmente, as pessoas tendem a agir por
reacção; eles preferem tomar medidas só depois de algo acontecer. Da mesma
forma, é o dever dos profissionais de segurança colocar a informação de
segurança à frente dos executivos (e o conselho de administração), para
que a empresa possa avaliar com precisão o valor real de uma acção preventiva.
A segunda questão organizacional são os profissionais de segurança experientes. Eles são a essência de qualquer equipa de gestão de segurança. O meu conselho: Manter o seu talento e fornecer toda a formação necessária. Em terceiro lugar, construir um sistema de gestão de segurança abrangente que inclua formas de medição que indiquem claramente o desempenho dos seus investimentos e os riscos que o seu sistema impediu. Em ultimo lugar, garantir que a equipa de administração executiva apoia activamente o programa de segurança que está implementado.
Worrall: Sendo uma empresa com mais de 38.000 pessoas como a Sun,
parece quase impossível levar a gestão da segurança ao nível da pessoa
individual, portanto como é que um director de segurança da informação
determina um perfil de risco adequado de modo a gerir a segurança de uma
força de trabalho tão vasta?
Connelly: Já disse tudo – tudo se resume ao risco. Fundamentalmente,
as empresas precisam de fazer investimentos com base na gravidade das
ameaças, bem como na probabilidade dessas ameaças se tornarem realidade.
Qualquer director de segurança da informação lhe dirá que é muito difícil
descrever um factor de risco numérico absoluto para uma ameaça específica.
Por exemplo, uma quebra na privacidade da informação trará certamente
um custo de capitalização de mercado para uma empresa de capital aberto,
mas como é que se determina o montante exacto do valor do accionista perdido?
Por esta razão, para ser proactivos, a maioria dos profissionais de segurança
citam o facto de as despesas com a prevenção – ou melhor, o “investimento”
— ser geralmente 100 vezes menor do que os correspondentes custos de reparação.
É bom para os funcionários, para o clientes e para o negócio.
Worrall: Quais são alguns das estratégias nas quais as empresas se
baseiam para manter a informação segura e protegida?
Connelly: Prendem-se com fortes políticas de segurança. Todas
as empresas precisam de um conjunto forte de políticas. Estas políticas
regem a forma como uma empresa implementa uma estratégia de segurança
e os procedimentos operacionais em volta da estratégia a avançar. Além
disso, as políticas têm de ser basear nos melhores padrões da indústria.
Assim que uma empresa tem uma política de segurança, necessita de implementá-la
e supervisioná-la utilizando esses padrões da indústria. Isto é particularmente
importante na altura da auditoria. Durante uma auditoria, o auditor pergunta
em primeiro lugar se existe uma política e se esta está ser implementada.
A pergunta seguinte será sobre o facto de ter adoptado algum padrão da
indústria. Se a resposta a estas questões for “sim”, estará em boa forma.
Worrall: De que mais necessitam os profissionais de segurança em
termos de ferramentas?
Connelly: Outra ferramenta importante é a criação de uma defesa
multicamadas. Se uma empresa possuir múltiplas camadas de defesa, é mais
difícil penetrá-las. Além disso, a defesa tem de ser não apenas multicamadas
mas também multifornecedores. Se alguém penetrar uma camada, é mais difícil
romper as outras camadas, especialmente se estas estiverem baseadas em
diferentes tecnologias de fornecedores.
Worrall: E da perspectiva dos produtos e serviços, o que é que a
Sun faz para ajudar a segurança da sua própria empresa?
Connelly: Faz muito! A Sun possui um número considerável de parcerias,
quer seja no nosso canal de estratégia quer na obtenção de fornecedores
de TI. Os parceiros da Sun operam as nossas redes e centros de dados e
fazem a filtragem de vírus e spam. A Sun emprega a melhor estratégia do
mercado para ajudar a reduzir os custos, melhorar a flexibilidade e tornar
a segurança da empresa mais escalável. Além disso, a Sun cria os seus
próprios produtos de segurança, tais como o Identity
Manager, Access
Manager, e serviços de directoria. A Sun oferece as clientes uma vasta
gama de hardware, software e serviços e, como é natural, utilizamos esses
activos internamente.
Worrall: O que está a Sun a fazer especificamente em termos de filtragem
de spam, vírus e detecção de invasões – o tipo de desafios que quase todas
as empresas enfrentam?
Connelly: A Sun filtra mais de 40 milhões de mensagens de spam
e dois ou três milhões de vírus por dia. A Sun coloca filtros de vírus
e spam nas redes, bem como nas portas de comunicação no interior da Sun
para prevenir que os vírus se espalhem. A Sun também envolve a equipa
de certificação e os seus pares para que ajudem na supervisão das redes
24 horas por dia. Sempre que ocorre um incidente, este é imediatamente
comunicado e solucionado. Além disso, a Sun distribui sensores de invasão
baseados na rede, para que se alguém estiver a tentar penetrar as nossas
redes, as nossas equipa estejam prontas a responder. A Sun está sempre
alerta para proteger o perímetro das suas redes.
Worrall: Falámos sobre engenharia social, spam e vírus. O que antevê
como o próximo grande desafio?
Connelly: Do ponto de vista da segurança, a Sun está constantemente
a combater a proliferação de dispositivos. Também não é apenas uma questão
de clientes “gordos” ou “finos”. Existem muitos dispositivos novos portáteis
e sem fios, e todos eles ligados à rede. A Sun trabalha com o seu director
de privacidade para fazer os possíveis para mitigar o risco de perda de
informação privada. Embora a perda de um bit de IP seja dramática, se
a Sun perder informação pessoal ou mesmo se suspeitar que tenha existido
uma quebra da informação privada, tem de comunicá-lo e podem existir graves
penalizações. As empresas precisam de prestar atenção aos novos dispositivos,
administrá-los com cuidado, montar as suas defesas e informar os funcionários
sobre a sua correcta utilização.
Worrall: Que conselho daria aos seus colegas em empresas mais pequenas
que a Sun que não sabem onde concentrar os seus esforços de segurança?
Connelly: Tal como nas empresas maiores, as empresas mais pequenas
precisam de desenvolver um forte conjunto de políticas de segurança, basear
o sistema de gestão de segurança que desenvolvem em padrões da indústria
e organizar-se em torno destes objectivos de negócio. Se uma empresa não
possui montanhas de dinheiro e recursos –ou mesmo que possua – uma das
acções mais eficazes que os profissionais de segurança podem tomar é realizar
um programa de consciencialização sobre segurança como parte de um sistema
de gestão de segurança. Este é claramente um programa benéfico e rentável.
Worrall: Em que termos é que a consciência sobre segurança compensa?
Connelly: Na Sun, todos os 38.000 funcionários têm de pensar
na segurança a toda a hora. Ela reduz os custos. Ela ajuda a proteger
os nossos funcionários e valor dos accionistas. Em alguns dos casos, trata-se
de um pré-requisito para os negócios. Ela cria novas oportunidades de
negócio e não é apenas uma despesa – é possível fazer crescer o negócio
com "segurança integrada".
Worrall: Algum conselho final?
Connelly: Como já referi algumas vezes, a implementação de um
sistema completo de gestão de segurança ao longo de toda a organização
é a chave para o sucesso de qualquer política de segurança. A organização
de TI é um conceito que representa uma unificação de todos os aspectos
da segurança para a empresa. Na Sun, trabalho com a pessoa responsável
pela segurança física, o pessoal nos grupos de produtos, o director de
privacidade, profissionais jurídicos e de auditoria e pessoal do controlo
de exportações. Todos estes aspectos de segurança têm de estar unidos
num propósito e posicionados de forma a apoiar os objectivos de negócio.
A nossa função é fazê-lo de uma forma segura baseada no risco.
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