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Abertura com Simon Phipps, Responsável-chefe pela Fonte Aberta na Sun
Estas são as perguntas que fizemos ao Simon:
- Desempenha a função de Responsável-chefe pela Fonte Aberta há quase um ano. Fale-nos sobre a sua função e sobre as suas responsabilidades.
- Quais são alguns dos desafios que o Grupo de Fonte Aberta tem de enfrentar?
- Pode dizer-nos qual o modelo de negócios de fonte aberta que a Sun apoia?
- Alargando um pouco o âmbito da discussão, quais são os maiores desafios que as comunidades de fonte aberta, em geral, enfrentam hoje em dia?
- Existe algum modelo de administração específico que pareça funcionar melhor com projectos de fonte aberta?
- Pode dar-nos exemplos de como a administração dá forma aos projectos de fonte aberta?
- Algumas pessoas afirmam que a Sun está a adiar abertura de fonte da tecnologia Java. Porque não escolher uma licença e acabar de vez com o assunto?
- No passado, afirmou que a fonte aberta é um “capitalismo ligado.” Pode explicar o que queria dizer com essa afirmação?
- Pode dar um exemplo de como o capitalismo ligado tem impacto nos utilizadores finais?
- Falando do formato OpenDocument, quais são necessidades de negócios reais que este visa?
- Qual o próximo grande desafio de fonte aberta para a Sun?
- Então, como é que a Sun cumpre o desafio da fonte aberta apresentado por Jonathan Schwartz?
Com 20 anos de experiência no desenvolvimento de software, Simon Phipps ajudou a orientar a estratégia de fonte aberta da Sun, incluindo o projecto OpenSolaris. Agora, enquanto Responsável-chefe pela Fonte Aberta na Sun, Phipps recebeu a pesada tarefa de decidir como colocar em fonte aberta todo o software da Sun.
A Inner Circle reuniu-se recentemente com Phipps para discutir
as licenças de fonte aberta, o trabalho em conjunto com comunidades
de programadores, e o modo como a administração dos projectos de fonte
aberta são vitais para o sucesso.
Inner Circle: Desempenha a função de Responsável-chefe
pela Fonte Aberta há quase um ano. Fale-nos sobre a sua função e sobre
as suas responsabilidades.
PHIPPS: É um cargo excitante, que aproveita aquilo que fiz enquanto apologista-chefe de tecnologia na Sun no passado. Neste cargo, as minhas responsabilidades expandiram enquanto resultado da formação do Grupo de Fonte Aberta na Sun. Este grupo particular possui um conjunto bastante amplo e diversificado de responsabilidades — como seria de esperar de uma organização que existe para criar uma abordagem consistente ao longo de todos os projectos de fonte aberta da Sun.
» Quais são alguns dos desafios que o Grupo de Fonte Aberta tem de enfrentar?
PHIPPS: A política de licenciamento é obviamente uma questão muito importante para nós, mas o Grupo de Fonte Aberta da Sun tem igualmente outras tarefas importantes. Também procura determinar como a Sun irá identificar os seus projectos de fonte aberta, assim como quais as abordagens que deverão ser adoptadas no âmbito da administração de projectos de fonte aberta. No seio da equipa existem pessoas com um interesse técnico na disponibilização em fonte aberta do Java, Solaris e das ferramentas de desenvolvimento da Sun. Para além disso, o grupo também ajuda os funcionários, que lidam cara a cara com os clientes, a compreender e a transmitir o empenho da Sun para com a fonte aberta.
» Pode dizer-nos qual o modelo de negócios de fonte aberta que a Sun apoia?
PHIPPS: Acho engraçado que as pessoas ainda falem sobre um modelo de negócios de fonte aberta. Tanto quanto consigo perceber, não existe apenas um modelo de negócios único para projectos de fonte aberta. O termo “fonte aberta” descreve na realidade o que acontece quando uma comunidade de programadores se reúne em torno de um corpo partilhado de código fonte, e utiliza esse conhecimento para criar produtos ou programas de software que cumpram necessidades específicas. Mas, essas necessidades não são sempre as mesmas. Alguns programadores estão a trabalhar em projectos de fonte aberta para que venham a render dinheiro, outros com vista a fins sociais, e alguns estão envolvidos apenas porque é divertido.
Assim, tal como existem muitas motivações diferentes para o envolvimento, também existem muitos modelos de negócios diferentes que podem ser utilizados por uma comunidade de fonte aberta. Na Sun, o nosso pensamento actual tende para promoção de um modelo que torne o software completamente disponível sem encargos. Depois disponibilizaremos serviços que são úteis na colocação desse software baseado em fonte aberta em produção.
» Alargando um pouco o âmbito da discussão, quais são os maiores desafios que as comunidades de fonte aberta, em geral, enfrentam hoje em dia?
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O maior desafio para uma comunidade de fonte aberta é compreender os modos através dos quais a administração irá ter um impacto nos membros da sua comunidade.
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PHIPPS: Acredito que o maior desafio para uma comunidade de fonte aberta é compreender os modos através dos quais a administração irá ter um impacto nos membros da sua comunidade. A administração é vital para um projecto de fonte aberta. Apesar de a fonte aberta permitir às pessoas ter acesso ao código fonte, isto não tem de significar que se seguirá o caos. Na realidade, os projectos de fonte aberta são geralmente muito bem organizados e são executados com um nível bastante elevado de profissionalismo e disciplina. A administração garante que as pessoas que executam o projecto podem decidir o que é incorporado no código fonte.
Existem uma ou duas comunidades de fontes abertas que não aparentam ter uma administração muito boa. A ausência de uma boa administração conduz a uma perda de liberdade para as pessoas que utilizam o software. Uma boa administração permite às comunidades de fonte aberta decidir os padrões, e bons padrões de fonte aberta são implementados por múltiplos produtos de software conduzindo a uma sustentabilidade a longo prazo de todo o software. Os padrões abertos definem a interoperabilidade do software que uma comunidade produz. Ironicamente, alguns projectos de fonte aberta são construídos sem uma compreensão dos padrões abertos.
» Existe algum modelo de administração específico que pareça funcionar melhor com projectos de fonte aberta?
PHIPPS: Não existe uma abordagem de tamanho universal única à administração. Comunidades diferentes têm necessidades diferentes, mas existem também atributos que são essenciais para uma boa administração — como, por exemplo, meritocracia, transparência do processo, e acesso aberto a todos com as aptidões necessárias para participar num projecto. O modo como a administração é estruturada depende realmente da organização. Por exemplo, a administração da Apache Software Foundation é consideravelmente diferente da administração da GNOME Software Foundation. Ambas as organizações são muito meritocráticas, mas a abordagem da Apache é muito formal, ao passo que o modelo de administração da GNOME é mais descontraído. Ambas são exemplos de boa administração.
» Pode dar-nos exemplos de como a administração dá forma aos projectos de fonte aberta?
PHIPPS: Sem uma espécie de estrutura, o OpenSolaris não estaria onde se encontra hoje, com mais de 13.000 membros de comunidade registados. Os membros desta comunidade descobriram mais de 400 problemas e ofereceram 150 contribuições. O modelo de administração do OpenSolaris ajuda a tomar as decisões sobre quais as contribuições a incluir no OpenSolaris.
» Existem algumas pessoas que afirmam que a Sun está a adiar a abertura de fonte da tecnologia Java. Porque não escolher uma licença e acabar de vez com o assunto?
PHIPPS: Se fosse assim tão fácil, a Sun já teria disponibilizado o Java em fonte aberta há muito tempo. Mas disponibilizar em fonte aberta um software comercial é mais do que apenas escolher uma licença. É necessário que sejam respeitados os programadores existentes. E, é importante descobrir como a administração do projecto irá respeitar os contribuidores. Também existem questões em relação à disponibilização de novas licenças — para não mencionar a criação de um ambiente no qual uma implementação da plataforma Java bem concebida e compatível com produtos anteriores possa ser mantida no mercado. Por isso, a Sun não está a atrasar o processo. A Sun está a tentar descobrir qual a licença que irá funcionar melhor, a conceber a administração, a rever a propriedade dos direitos de autor e por aí diante. Iremos realizar divulgações graduais durante o ano que se segue. Esse modelo funcionou para o OpenSolaris, e pretendo certificar-me de que funciona também para a plataforma Java.
» No passado, afirmou que a fonte aberta é um “capitalismo ligado.” Pode explicar o que queria dizer com essa afirmação?
PHIPPS: Sim, essa frase faz com que algumas pessoas fiquem preocupadas quando a escutam pela primeira vez, mas no contexto a declaração faz sentido. Algumas pessoas na indústria informática comparam a fonte aberta ao comunismo. Em vez disso, sugiro que a fonte aberta diz respeito a pessoas criarem coisas que valorizam, o que é um conceito deveras empreendedor. E visto que os projectos de fonte aberta não são realizados em isolamento, a frase “capitalismo ligado” parece ser um bom modo de explicar o resultado final do ciclo vicioso do desenvolvimento da fonte aberta. É fácil olhar para o processo de desenvolvimento de fonte aberta em que os programadores solucionam problemas e adicionam características e presumir que todas as contribuições são exclusivamente altruístas. Mas na realidade este processo diz respeito à sincronização de interesses por parte das pessoas à medida que desenvolvem o software de que necessitam.
» Pode dar um exemplo de como o capitalismo ligado tem impacto nos utilizadores finais?
PHIPPS: O formato OpenDocument certamente que liga as pessoas. Com formatos XML para programas de produtividade de escritório — como, por exemplo, processamento de texto e folhas de cálculo — as pessoas podem escolher livremente os produtos que querem utilizar para editar os seus documentos e para partilhar informação. Até mesmo a Microsoft — a fornecedora dominante de software de processamento de texto — reconheceu que precisa de disponibilizar suporte para o formato OpenDocument, de modo a que as pessoas possam ter relações de negócios sem estarem confinadas por dependências técnicas.
» Falando do formato OpenDocument, quais são algumas necessidades de negócios reais que este visa?
PHIPPS: O OpenDocument é agora uma norma internacional — norma ISO/IEC 6300. Tornou-se num padrão para empresas e governos a nível mundial. Isto significa mais transparência, especialmente para auditorias. No ambiente de negócios actual, é cada vez mais importante que os dados continuem a poder ser lidos durante um longo período de tempo. Normas como, por exemplo, Sarbanes-Oxley incluem requisitos de auditabilidade, e é realmente importante ter formatos de documentos que possam ser lidos de modo amplo e resistentes à obsolescência.
» Qual o próximo grande desafio de fonte aberta para a Sun?
PHIPPS: Temos de cumprir o objectivo que Jonathan Schwartz estabeleceu para nós enquanto empresa, que é o de disponibilizar em fonte aberta todo o software que a Sun produz. Parece fácil, não é? Mas é um grande desafio porque a Sun tem um portfólio de software muito extenso. Temos um excelente sistema operativo. Temos software para servidores com os quais as empresas podem contar. Temos um servidor de portal. Gerimos e-mails. Existe software que realiza a gestão de identidades e que ajuda a gerir segurança. E a lista continua...
» Então, como é que a Sun cumpre o desafio da fonte aberta apresentado por Jonathan Schwartz?
PHIPPS: Transformar este conjunto complexo de software em software de fonte aberta vai ser uma grande tarefa. Neste momento estou a ajudar a minha equipa a compreender como é que esta tarefa irá ser cumprida, o que implica a realização de muitas perguntas. Por exemplo, será que o mundo precisa que a Sun coloque todos os seus produtos em fonte aberta? Ou, deverá a Sun usar alguns produtos em fonte aberta que já estejam no mercado em vez dos seus produtos existentes? E depois, é claro, existe a questão de determinar o modelo de administração para os projectos de fonte aberta em que Sun está a trabalhar. Vai ser uma época muito, muito ocupada para o Grupo de Fonte Aberta.
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